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Justiça A CASA CAIU

Braço-direito de Sérgio Ricardo ostentava vida de luxo e viagens internacionais

Operação Tomada de Contas levou à prisão de seis pessoas e apura suspeitas de desvio de recursos, favorecimento de empresas e lavagem de dinheiro

29/10/2026 às 16h41 Atualizada em 29/10/2026 às 16h47
Por: Redação
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Reprodução - Instagram
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A chefe de gabinete da Presidência do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Roseli Loss, é apontada pela Polícia Federal como responsável por saques que somaram R$ 3,52 milhões em contas relacionadas ao núcleo investigado na Operação Tomada de Contas. Segundo a investigação, parte das movimentações foi registrada por câmeras de segurança instaladas na sede do órgão, em Cuiabá.

A decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a prisão preventiva da servidora e de outros investigados, descreve a participação de Roseli nas retiradas de dinheiro. Nas redes sociais, ela também publicava registros de viagens nacionais e internacionais e de um estilo de vida luxuoso.

De acordo com o documento judicial, imagens analisadas pelos investigadores mostram Roseli realizando saques repetidamente no posto bancário localizado no Centro Político Administrativo. Em pelo menos seis ocasiões, conforme a apuração, o dinheiro retirado teria sido entregue a Adriangelo Barros Antunes, servidor do TCE-MT e ex-cunhado do presidente da Corte, Sérgio Ricardo, que também foi preso na operação.

“No que tange aos fatos investigados, as imagens demonstram que Roselli Loss foi a pessoa responsável por saques que somam R$ 3.520.600,00”, registra a decisão.

Relação antiga com o presidente do tribunal

Roseli ocupa a chefia de gabinete da Presidência desde janeiro de 2024 e mantém uma relação profissional antiga com Sérgio Ricardo. Segundo as informações reunidas na investigação, ela trabalhou como servidora legislativa durante o período em que ele exerceu mandato de deputado estadual, entre 2002 e 2006, e também prestou serviços à irmã do conselheiro.

A Polícia Federal atribui a Roseli papel central na retirada e circulação de dinheiro ligado ao grupo investigado. A suspeita é de que ela atuasse de forma recorrente em operações financeiras relacionadas a contas vinculadas ao presidente do TCE-MT.

A decisão do STJ destaca que Roseli se tornou procuradora bancária de Sérgio Ricardo em outubro de 2025. No entanto, segundo os investigadores, ela já realizava saques em contas ligadas a ele desde o ano anterior.

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O documento cita, como exemplos, uma retirada de R$ 200 mil em fevereiro de 2024 e outra de R$ 340 mil em abril do mesmo ano.
Investigação aponta possível uso de biometria facial
Outro ponto mencionado na decisão envolve procedimentos realizados por Roseli em um celular, interpretados pelos investigadores como possível utilização da biometria facial de Sérgio Ricardo para acessar operações bancárias.

Conforme a apuração, a servidora movimentava contas das quais não era titular e realizava operações financeiras sem apresentar vínculo bancário próprio relevante com a cooperativa envolvida.

Esses elementos são tratados pela Polícia Federal como indícios que precisam ser analisados em conjunto com os registros bancários, as imagens de segurança e os demais materiais recolhidos durante a operação.

 
 
 
 
 
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Seis pessoas foram presas

Além de Roseli Loss e Sérgio Ricardo, a Operação Tomada de Contas resultou na prisão de outros quatro investigados: Gregory Paiva Pires Moreira Maia, consultor jurídico-geral do TCE-MT; Adriangelo Barros Antunes, servidor do tribunal; e os advogados Felipe José Glinke e Gustavo Fernandes da Silva.

A Justiça também determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, Alisson Alencar e José Carlos Novelli. O conselheiro aposentado Valter Albano aparece entre os alvos das diligências.

Durante as buscas, foram apreendidos dinheiro em espécie, carros e relógios de luxo, além de bebidas de alto valor, como vinhos e uísques importados. A decisão judicial também autorizou o sequestro de bens relacionados à investigação.

A operação mobilizou cerca de 180 policiais federais e cumpriu mandados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
PF investiga contratos e movimentações financeiras
A investigação busca esclarecer suspeitas de que a suspensão de contratos administrativos teria sido utilizada como instrumento de pressão sobre fornecedores, além de possíveis favorecimentos na liberação de recursos públicos.

Os investigadores também analisam diferenças nos pagamentos realizados a empresas, movimentações financeiras consideradas atípicas e saques recorrentes em dinheiro. A apuração procura identificar possíveis conexões entre pagamentos contratuais e a circulação posterior de recursos.

Os fatos investigados podem configurar, em tese, crimes contra a Administração Pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As suspeitas ainda dependem da análise das provas e do andamento do processo, e a prisão preventiva não representa, por si só, comprovação de culpa dos investigados.

 

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