
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira (8), uma nova fase das investigações que apuram um suposto esquema de venda de decisões judiciais em Mato Grosso. A operação, batizada de Gemini, tem como alvos o desembargador afastado Dirceu dos Santos e o deputado estadual Faissal Calil (PL).
A medida foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e integra os desdobramentos da Operação Sisamnes, que investiga possíveis práticas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do Judiciário mato-grossense.
De acordo com a Polícia Federal, estão sendo cumpridas ordens judiciais de busca e apreensão, além de medidas de quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático dos investigados. Entre os endereços alvo da operação está a residência do parlamentar.
Os investigadores apuram possíveis crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, cujas responsabilidades serão avaliadas individualmente ao longo do inquérito.
Magistrado está afastado
Dirceu dos Santos está fora das funções desde março, após decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão apontou indícios de incompatibilidade entre a evolução patrimonial do magistrado e os rendimentos obtidos ao longo da carreira.
Segundo informações constantes nas investigações, análises financeiras identificaram movimentações patrimoniais superiores a R$ 14 milhões nos últimos anos, valor considerado incompatível com a remuneração formal recebida pelo desembargador.
Entre os bens citados no procedimento está um apartamento localizado em uma área nobre de Cuiabá. Documentos analisados pelos investigadores indicam que o imóvel teria sido adquirido por meio de permuta envolvendo o magistrado e o deputado Faissal Calil.
Relação entre os investigados
Antes de ingressar na política, Faissal atuou no gabinete de Dirceu dos Santos entre 2017 e 2018. No ano seguinte, foi eleito deputado estadual e assumiu mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
A investigação também analisa informações patrimoniais e declarações apresentadas pelos envolvidos aos órgãos de controle e à Justiça Eleitoral.
A ofensiva desta segunda-feira ocorre poucos dias após o CNJ determinar medidas cautelares contra o desembargador, incluindo buscas realizadas pela Polícia Federal em dependências ligadas ao magistrado.
As investigações seguem sob sigilo parcial e buscam esclarecer se houve favorecimento indevido em decisões judiciais, bem como a origem de recursos e bens atribuídos aos investigados.
Até o momento, as defesas dos citados não haviam se manifestado oficialmente sobre a nova operação.
Com informações do Gazeta Digital.
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