
A Polícia Federal cumpriu 20 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso na manhã deste sábado (3), durante quatro operações voltadas à apuração de possíveis crimes eleitorais. As ordens foram expedidas pela Justiça Eleitoral e resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 235 mil em dinheiro, além de outros materiais que serão analisados pelas equipes responsáveis pelas investigações.
A PF não informou detalhes sobre as suspeitas investigadas em cada operação, que tramitam sob sigilo. Também não estabeleceu, no comunicado oficial, qualquer relação entre o dinheiro apreendido e os alvos das diligências realizadas em Rondonópolis.
Na cidade, ao menos cinco pessoas foram alvo das buscas, entre elas o secretário municipal de Governo, Mikaell Vitorino, e o diretor-geral do Serviço de Saneamento Ambiental de Rondonópolis (Sanear), Victor Vitorino. Conforme as informações divulgadas, os investigados são apoiadores de campanhas eleitorais.
O prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), e a primeira-dama Alessandra Ferreira (Podemos), candidata a deputada estadual, não foram alvos dos mandados cumpridos neste sábado.
Segundo informações apuradas pela reportagem, uma das linhas de investigação em Rondonópolis envolve a suspeita de utilização da estrutura da administração municipal em benefício de campanhas. A hipótese ainda é objeto de apuração e não representa conclusão sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
O caso ocorre após uma decisão tomada em setembro pelo corregedor do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargador Marcos Machado. Em uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo diretório estadual do Agir, o magistrado determinou que Cláudio Ferreira e Alessandra Ferreira se abstivessem de utilizar bens, serviços, recursos, eventos ou obras do município para promover a candidatura dela à Assembleia Legislativa.
A decisão estabeleceu multa de R$ 20 mil para cada eventual descumprimento. Ao justificar a medida, Machado destacou a necessidade de cautela diante da candidatura de Alessandra e da possibilidade de associação entre sua exposição eleitoral e ações realizadas pela administração municipal.
As investigações conduzidas pela PF neste sábado, porém, estão sob sigilo, e a corporação não detalhou oficialmente quais fatos específicos são apurados em Rondonópolis nem informou se há relação direta entre a operação e a decisão anterior do TRE-MT.
Em nota, a Prefeitura de Rondonópolis afirmou que respeita a atuação da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal e que continuará fornecendo os documentos e informações solicitados pelas autoridades.
A administração municipal também declarou confiar na atuação dos secretários que foram alvo das buscas e ressaltou que, até o momento, não tem conhecimento de acusação formal contra eles. A prefeitura destacou ainda que uma busca e apreensão constitui medida de investigação e não representa, por si só, conclusão de culpa.
As quatro operações continuam sob investigação, e a Polícia Federal informou que novas informações poderão ser divulgadas posteriormente, respeitando os limites legais e o andamento das apurações.
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