Um investigador da Polícia Civil de Mato Grosso foi afastado das funções após se tornar alvo de uma investigação que apura a suposta prática de tortura contra um preso na Delegacia de Pontes e Lacerda, a 444 quilômetros de Cuiabá.
As medidas cautelares foram cumpridas nesta semana por determinação do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias, após pedido apresentado pela Polícia Civil com parecer favorável do Ministério Público Estadual.
Entre as determinações judiciais estão o recolhimento da arma funcional do servidor, a apreensão de aparelhos eletrônicos e a autorização para extração de dados dos dispositivos. O policial também está proibido de frequentar unidades da Polícia Civil e de manter contato com testemunhas ou outros agentes ligados à investigação.
Imagens teriam registrado agressões
Segundo as apurações, o caso teria ocorrido em 31 de janeiro deste ano dentro da unidade policial. As investigações apontam que a suposta agressão contra o detento foi registrada por câmeras de monitoramento.
A identidade da vítima ainda não foi confirmada oficialmente, e os investigadores trabalham para localizá-la e esclarecer todos os detalhes do episódio.
A Delegacia Regional de Pontes e Lacerda conduz as diligências e busca identificar se outras pessoas participaram dos fatos investigados.
Além da denúncia principal, a Polícia Civil também investiga possíveis tentativas de interferência nas apurações e o eventual vazamento de informações sigilosas relacionadas ao caso.
O material apreendido durante o cumprimento dos mandados deverá passar por análise para auxiliar na coleta de provas.
Histórico de ocorrências
De acordo com informações levantadas durante a investigação, o policial já esteve envolvido em outros episódios registrados administrativamente.
Em 2017, ele sofreu um disparo acidental com a própria arma. Em 2023, uma arma pertencente à Polícia Civil foi extraviada enquanto estava sob sua responsabilidade.
Já em janeiro deste ano, uma motocicleta oficial da instituição também foi furtada quando estava sob seus cuidados.
As investigações seguem em andamento e o policial não foi condenado. O caso ainda será analisado pelas autoridades competentes após a conclusão dos procedimentos investigativos.