Política OPERAÇÃO GEMINI
Após operação da PF, Faissal ironiza apreensão de Rolex e faz piada
Deputado participou de pedal da Polícia Militar horas depois de ser alvo de busca e apreensão determinada pelo STJ
09/06/2026 22h13
Por: Wallmir Santana
Reprodução

Horas depois de ser alvo da Operação Gemini, da Polícia Federal, o deputado estadual Faissal Calil (PL) adotou um tom irônico ao comentar a investigação durante participação no Pedal 4º Bravo, promovido pela Polícia Militar em Várzea Grande.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar fez referência às imagens divulgadas pela PF, que mostram relógios de luxo apreendidos durante o cumprimento dos mandados judiciais.

"Que horas são no meu Rolex? O povo mente mesmo", disse o deputado, arrancando risadas de pessoas que acompanhavam o evento.

Além da ironia sobre a operação, Faissal aproveitou para responder críticas de que estaria distante de Várzea Grande após assumir o mandato na Assembleia Legislativa.

"A mídia soltou que eu tô sumido de Várzea Grande. Mas toda segunda-feira eu estou em Várzea Grande. Beijo", disse, encerrando a fala com um "beijinho no ombro".

Investigação da PF

O nome de Faissal aparece entre os alvos da Operação Gemini, deflagrada pela Polícia Federal para aprofundar investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro em Mato Grosso.

Segundo a PF, as apurações apontam que o deputado teria atuado como operador financeiro do desembargador afastado Dirceu dos Santos, tese que é contestada pelo parlamentar.

A representação encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sustenta que Faissal seria uma pessoa de confiança do magistrado e teria participado de movimentações patrimoniais e financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.

A investigação teve origem na análise de dados extraídos de aparelhos celulares, relatórios de inteligência financeira e informações compartilhadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O que diz a PF

De acordo com a Polícia Federal, o desembargador afastado teria estruturado um sistema para ocultação patrimonial e movimentação de recursos por meio de terceiros.

Nesse contexto, Faissal é apontado como suposto intermediador de operações financeiras e imobiliárias que, segundo os investigadores, teriam sido utilizadas para conferir aparência de legalidade a recursos sob investigação.

A PF também informou ter identificado movimentações financeiras milionárias, incluindo depósitos e saques em espécie superiores a R$ 3,2 milhões, além de transferências envolvendo empresas ligadas ao agronegócio.

Defesa nega irregularidades

Faissal nega qualquer participação em práticas ilícitas e afirma que irá prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades.

A defesa do parlamentar sustenta que as movimentações realizadas possuem origem lícita e que as investigações irão demonstrar a legalidade de sua atuação.