Política CPI DAS OBRAS
Eliene reage à CPI, fala em surpresa e diz que não teve direito de defesa
Gestora de Cáceres afirma que não foi ouvida pela comissão e aguarda acesso ao relatório para analisar acusações
10/06/2026 10h09
Por: Wallmir Santana

A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato (Podemos), contestou as conclusões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Obras e afirmou ter recebido com "surpresa e espanto" a recomendação de seu afastamento, aprovada pelos vereadores que conduziram os trabalhos investigativos.

Em nota divulgada após a apresentação do relatório final, a gestora alegou que não teve oportunidade de se defender durante a apuração e afirmou que sequer foi tratada formalmente como investigada pela comissão.

"Durante todo o funcionamento da comissão, a prefeita não foi tratada como investigada, não foi intimada a prestar depoimento, não teve a oportunidade de apresentar defesa sobre qualquer ponto levantado pelos membros da comissão", argumentou.

O documento aprovado pela CPI recomenda não apenas a abertura de uma Comissão Processante contra a prefeita, mas também o afastamento cautelar de servidores e secretários municipais supostamente envolvidos nos fatos investigados.

A decisão foi tomada por maioria dos integrantes da comissão e ainda precisará ser analisada pelo plenário da Câmara Municipal, que poderá acolher ou rejeitar as recomendações.

Instalada em julho do ano passado, a CPI foi criada para apurar os motivos da paralisação e dos atrasos em diversas obras públicas executadas no município.

Ao longo das investigações, os vereadores apontaram uma série de problemas na condução dos contratos, incluindo falhas de fiscalização, demora na adoção de medidas corretivas, sucessivos aditivos de prazo e valor, além de obras consideradas abandonadas ou com execução comprometida.

Segundo os membros da comissão, o conjunto de irregularidades identificadas revelaria fragilidades na gestão e no acompanhamento dos investimentos públicos realizados pela Prefeitura.

Defesa e análise jurídica

Eliene afirmou que ainda aguarda a notificação oficial para ter acesso integral ao relatório e informou que somente após uma avaliação técnica e jurídica irá se posicionar detalhadamente sobre cada apontamento feito pela CPI.

"É preciso confiar nas instituições e garantir a aplicação das leis dentro do Estado Democrático de Direito em que vivemos", declarou.

A prefeita também destacou que seu mandato foi legitimado pelas urnas e reafirmou compromisso com a transparência e a legalidade na administração municipal.

Enquanto isso, o relatório segue para apreciação dos vereadores em plenário. Caso seja aprovado, as conclusões poderão ser encaminhadas a órgãos como Ministério Público e Tribunal de Contas para aprofundamento das apurações e eventual responsabilização dos envolvidos.