Menos de uma semana após a aprovação do polêmico auxílio-alimentação de R$ 1,7 mil mensais para vereadores, a Câmara de Cáceres decidiu recuar. O presidente da Casa, Flávio Negação (MDB), anunciou que apresentará na próxima segunda-feira (8) um projeto para revogar a lei que criou o benefício aos agentes políticos do município.
A mudança de posição ocorre após a forte reação da população, que criticou a criação de mais uma vantagem financeira para os parlamentares em um momento de dificuldades enfrentadas por grande parte dos moradores.
O auxílio havia sido aprovado pelo Legislativo e posteriormente sancionado pelo Executivo, garantindo o pagamento mensal aos vereadores, que já recebem salário e outros benefícios previstos em lei.
Segundo Flávio Negação, a decisão de revogar a medida foi construída em conjunto com a Mesa Diretora e busca responder ao descontentamento popular.
"A Câmara está atenta à voz da sociedade. Queremos demonstrar sensibilidade às demandas populares, dentro do respeito ao diálogo e à transparência", afirmou o presidente.
Pressão popular
A repercussão negativa tomou conta das redes sociais e gerou questionamentos sobre a necessidade da criação do benefício para agentes políticos.
Diante da pressão, o debate deixou de girar apenas em torno da legalidade da medida e passou a envolver o desgaste político causado pela decisão.
O próprio presidente da Câmara reconheceu que o principal fator para a revogação é a reação da população.
Vereadores abandonam benefício
Antes mesmo da proposta de revogação, cinco parlamentares já haviam anunciado que não pretendiam receber o auxílio-alimentação.
Abriram mão do benefício: Cezare Pastorello (PT), Isaías Bezerra (Republicanos), Jerônimo Gonçalves (PL), Valdeniria Dutra (Podemos), Pacheco Cabeleireiro (PP).
Valdeniria, inclusive, foi a autora da proposta que criou o benefício.
O projeto de revogação será apresentado e discutido na sessão ordinária da próxima segunda-feira. Caso seja aprovado pelos vereadores, a medida extinguirá o auxílio-alimentação recém-criado.
O episódio expõe o desgaste provocado pela aprovação do benefício e a força da pressão popular sobre decisões que impactam diretamente os cofres públicos.