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Estoque de 16 mil livros reforça investigação sobre contratos de R$ 80 milhões
Durante vistoria em almoxarifado da Secretaria de Educação, presidente do TCE afirmou que material não está sendo utilizado e indicou possível desperdício de recursos públicos
29/05/2026 15h44
Por: Wallmir Santana

A denúncia envolvendo supostas irregularidades em contratos de livros didáticos da Prefeitura de Cuiabá ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (29). Durante visita ao almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação, o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, afirmou ter encontrado mais de 16 mil livros armazenados sem utilização, apesar dos milhões investidos na aquisição do material.

A vistoria ocorre em meio à polêmica sobre contratos que, segundo denúncias em apuração, ultrapassariam R$ 80 milhões em compras de materiais didáticos realizadas pela rede municipal.

Durante conversa com a imprensa, Sérgio Ricardo apresentou um exemplar do livro "Educação Financeira & Consumo Consciente", destinado aos professores, cujo valor unitário seria de R$ 115.

“Esse livro custa R$ 115. Ali tem 16 mil livros que serão jogados fora, que estão guardados, mas que não vão ser utilizados, além dos livros que já foram distribuídos às escolas e que também não serão usados, porque essa matéria não existe”, declarou.

O presidente do TCE afirmou que, apesar da relevância do tema, o conteúdo sequer estaria sendo aplicado nas salas de aula da rede municipal.

“Não tem nenhum professor dando essa matéria e não tem nenhum aluno recebendo esse conteúdo. É uma matéria importante. Na minha infância, eu gostaria de ter recebido informações sobre educação financeira”, acrescentou.

A descoberta aumenta a pressão sobre os responsáveis pelas aquisições e pode reforçar as investigações em andamento sobre a necessidade, a quantidade e os critérios utilizados para a compra dos materiais.

O TCE poderá abrir uma frente mais ampla de fiscalização envolvendo contratos de material didático firmados por prefeituras em Mato Grosso.

Ex-secretário reage e fala em "cortina de fumaça"

No centro da polêmica está o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, responsável pela pasta durante o período em que os contratos foram executados.

Na quinta-feira (28), ao usar a tribuna da Câmara de Cuiabá, Amauri negou qualquer irregularidade envolvendo os R$ 80 milhões apontados pela atual gestão e afirmou que a denúncia estaria sendo utilizada para desviar o foco de problemas mais graves enfrentados pela Prefeitura.

Segundo ele, a discussão sobre os livros pode servir como uma "cortina de fumaça" para esconder uma suposta pedalada fiscal superior a R$ 100 milhões na Educação municipal.

A troca de acusações entre a atual administração, o ex-secretário e agora o Tribunal de Contas transforma o caso em uma das maiores crises envolvendo a Educação de Cuiabá nos últimos anos.

Enquanto o TCE aprofunda as apurações, a expectativa é de que novos documentos e contratos sejam analisados para esclarecer se houve desperdício de recursos públicos ou eventual responsabilidade de gestores e fornecedores nas aquisições.