Região norte do estado ainda sente os prejuízos causados pelo fechamento de plantas frigoríficas

0
75
Foto: Angelo Varela/ALMT

Nos dias 07 e 08 de Julho aconteceram reuniões especiais da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Frigoríficos nos municípios-polo Sinop e Alta Floresta. As reuniões especiais fazem parte do cronograma da CPI e buscam, com as oitivas in loco, coletar informações dos agentes econômicos das regiões que sofreram com os impactos sociais e financeiros após a paralisação das atividades.

Em Sinop, participaram das oitivas o presidente da Comissão Parlamentar, deputado Ondanir Bortolini (PSD), Nininho; o relator da comissão, deputado José Domingos Fraga; deputado Pedro Satélite e o procurador da Assembleia, Francisco Edmilson de Brito Junior. As lideranças se deslocaram para acompanhar os depoimentos de nove testemunhas convocadas pela CPI,entretanto, apenas cinco compareceram para prestar esclarecimentos. De acordo com o Regimento da CPI, os faltantes toranrão a ser designados, conforme requerimento votado no final da reunião.

O prefeito de Sinop, Juarez Costa (PMDB) foi uma das testemunhas ouvidas pelo grupo. Segundo ele,apenas em Sinop mais de 500 trabalhadores diretos foram demitidos após o fechamento de uma planta frigorífica da Friboi. Atualmente, a planta da Vale Grande trabalha com a desossa bovina. O encerramento na produção trouxe dificuldades para a região, porém, o prefeito disse estar esperançoso com os trabalhos da CPI dos Frigoríficos.

“A Assembleia tem várias ferramentas que podem e devem ser usadas, uma delas é a CPI.Vir conhecer o problema de perto, nos polos, mostra o trabalho sério da Comissão Parlamentar e do corpo técnico envolvido. Acredito que encontraremos um caminho correto para solucionar todo o impacto negativo que as plantas fechadas deixaram em Mato Grosso, um estado que pode abater 8 milhões de cabeças por ano e hoje está abatendo somente 4,5 milhões”, ressaltou Juarez.

A CPI dos Frigoríficos busca esclarecer os motivos que têm levado o transporte de boi para o abate em média a 500 Km da origem do gado. Segundo o presidente da CPI, as empresas terão que explicar o real motivo do fechamento das plantas, pois as mesmas tinham capacidade e estavam aptas a receber a matéria-prima.

“Quando o animal percorre grandes distâncias, além de influenciar o valor do frete, pode ocorrer a lesão de carcaça. Outro fator é o valor pago pela arroba do boi, tem regiões em Mato Grosso que o valor comparado com o estado de São Paulo chega a ser até 20% mais barato”, destacou o deputado.

Já em Alta Floresta foi realizada a quarta reunião especial da CPI, onde cinco pessoas foram ouvidas na condição de testemunhas; na ocasião, além do grupo parlamentar que esteve em Sinop, também compareceu o vice-presidente da ALMT, deputado Eduardo Botelho.

O prefeito de Nova Monte Verde, Arion Silveira, um dos depoentes ouvido na última sexta-feira disse que o fechamento da planta frigorífica implicou em vários prejuízos para o município, um deles foi a migração de cerca de 1.500 pessoas para outras regiões do estado.

“Quando recebemos a planta frigorífica da Arantes Alimentos, em 2006, as pessoas tiveram boas perspectivas e muitas vieram de outras regiões. Nós cumprimos com a parte de insfraestrutura, doação de terreno, viabilizamos energia elétrica, enfim toda estrutura necessária para atender o projeto, mas em menos de quatro anos de atividade a empresa fechou as portas”, esclareceu Arion Silveira.

O prefeito ainda lembrou que pouco tempo depois a planta frigorífica voltou às atividades como Brasfri S.A, e em pouco mais de um ano paralisaram novamente as atividades. “Até hoje não entendemos os motivos, uma vez que temos um rebanho na região de mais de 1,5 milhão de cabeças de gado e profissionais habilitados para as atividades, mesmo assim, essas empresas oportunistas preferiram deixar a região”, desabafou o prefeito.

O último depoimento realizado em Alta Floresta foi do Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Laticínios do Portal da Amazônia, José Evandro Navarro. “O que nós observamos com relação à JBS é o oportunismo, eles saíram dos grandes centros para explorar atividades em Mato Grosso, chegaram aqui e conseguiram benefícios. Temos casos sérios em nossa região, como o não pagamento nas atividades insalubres. A JBS responde a vários processos trabalhistas em outros estados, em nosso estado não conseguiu cumprir com a Lei de Incentivo Fiscal. Nós temos uma planta frigorífica em Colíder, habilitada pela JBS para industrializar a matéria-prima da região, mas nosso produto é enviado para outros estados, isso tem que ter fim, estamos gerando emprego e renda em outros estados”, destacou José Navarro.

Segundo o deputado Nininho cada informação coletada a partir de pesquisas e relatos dos depoentes representa um avanço nos trabalhos da comissão, que está pautado na segurança e transparência. “É necessário todo o cuidado para a conclusão do relatório final, por isso, temos que ir até onde está o problema. Em Sinop certificamos assim como em Mirassol D’Oeste e Nova Xavantina que os impactos são semelhantes, mas o que está ficando muito claro para nós é a divisão de área das plantas, o que inviabiliza a oportunidade de concorrência. Já em Alta Floresta que tem uma unidade da JBS na cidade, lotes de boi são abatidos em Paranatinga, nós queremos entender o porquê de tudo isso”, concluiu o parlamentar.

DEIXE UMA RESPOSTA